Com risco às exportações, doença de Newcastle coloca setor avícola de Mato Grosso em alerta
22 de outubro de 2026 – Atualizado em 22/10/2026 – 12:08pm
Presidente do CRMV-MT reforça a importância da atuação dos médicos-veterinários na prevenção da doença, que pode causar alta mortalidade nas aves e prejuízos à cadeia produtiva.
A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus, em Santa Catarina, acendeu um alerta para a avicultura de Mato Grosso. Embora o estado não tenha registrado casos da enfermidade em 2026, o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT) chama a atenção para a necessidade de reforçar as medidas de biosseguridade e a vigilância sanitária nas propriedades avícolas.
O foco foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no dia 18 de outubro, no município de Nova Itaberaba (SC). A ocorrência já provocou restrições às exportações brasileiras de produtos avícolas, evidenciando os possíveis impactos econômicos de uma emergência sanitária.
Para o presidente do CRMV-MT, médico-veterinário Aruaque Lotufo, a situação exige atenção de toda a cadeia produtiva, especialmente dos profissionais responsáveis pela saúde das aves.
“O episódio em Santa Catarina deve ser encarado como um alerta para toda a cadeia produtiva de aves”, afirma.
Segundo Aruaque, Mato Grosso possui uma cadeia avícola importante para o abastecimento alimentar e a geração de empregos. “Nesse contexto, a prevenção é necessária para evitar a disseminação de doenças nas criações, reduzir perdas econômicas e preservar a condição sanitária da produção estadual”.
A preocupação também envolve o comércio internacional. De janeiro a setembro de 2026, Mato Grosso exportou 90,12 mil toneladas de carne de frango, o maior volume registrado para o período desde 2017, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
As consequências comerciais já começaram a ser sentidas pelo setor brasileiro. De acordo com atualização do Mapa, divulgada em 21 de outubro, México e Malásia estabeleceram restrições à importação de produtos avícolas de todo o Brasil, enquanto China, Arábia Saudita e Chile adotaram medidas específicas para produtos provenientes de Santa Catarina.
Médicos-veterinários têm papel fundamental na prevenção
Altamente contagiosa, a doença de Newcastle é uma infecção viral que pode provocar sinais respiratórios e neurológicos, queda na produção de ovos e elevada mortalidade entre as aves. A disseminação do vírus pode ocorrer pelo contato com aves infectadas e materiais contaminados.
Lotufo destaca que os médicos-veterinários, especialmente aqueles que atuam como responsáveis técnicos em estabelecimentos avícolas, devem intensificar os protocolos de biosseguridade, revisar os procedimentos adotados nas granjas e orientar os colaboradores sobre os riscos de contaminação.
Entre os principais cuidados estão o controle da entrada de pessoas, veículos e materiais, a higienização de equipamentos e a adoção de medidas que impeçam o contato das aves comerciais com aves silvestres ou de vida livre.
A atenção também deve alcançar incubatórios de ovos férteis, estabelecimentos que comercializam pintinhos e aves adultas, além de pequenas criações em chácaras e sítios, onde há presença de galinhas, patos e outras aves domésticas.
O presidente ressalta que a identificação precoce de alterações na saúde dos animais e a comunicação imediata ao Serviço Veterinário Oficial são decisivas para permitir a investigação e a adoção das medidas de contenção.
“O pior cenário que existe é quando uma suspeita não é comunicada e a doença se espalha sem controle”, alerta.
A orientação é que qualquer mortalidade fora do padrão ou ocorrência de sinais clínicos suspeitos seja notificada imediatamente ao Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), sem aguardar a confirmação laboratorial da doença.
Vigilância à saúde das aves em Mato Grosso
Dados do Indea-MT apontam que, em 2026, foram coletadas amostras em 84 granjas comerciais para monitoramento da doença de Newcastle e da influenza aviária. Todos os resultados foram negativos.
O presidente do CRMV-MT também recordou as recentes ocorrências de influenza aviária em Mato Grosso e as ações de contenção realizadas pelo Indea-MT. Para ele, esses episódios demonstram a importância da vigilância permanente e da capacidade de resposta diante de emergências sanitárias.
Aruaque destaca ainda que a integração entre os profissionais do setor privado e os órgãos oficiais de defesa agropecuária é fundamental para a proteção da cadeia avícola. Médicos-veterinários e zootecnistas devem permanecer atentos às condições sanitárias dos estabelecimentos, respeitando as atribuições de cada profissão.
O CRMV-MT reforça que a notificação imediata de suspeitas, a adoção de medidas preventivas e o cumprimento dos protocolos de biosseguridade são essenciais para proteger a produção avícola de Mato Grosso e evitar a disseminação da doença.
