Zoonoses e doenças negligenciadas pautam 1º Fórum Social Uma Só Saúde de Mato Grosso
25 de junho de 2026 – Atualizado em 25/06/2026 – 6:45pm
A integração entre saúde humana, saúde animal e meio ambiente foi o centro dos debates do 1º Fórum Social Uma Só Saúde de Mato Grosso, realizado nesta quinta-feira (25), no Plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em Cuiabá.
Promovido pelo Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), em parceria com a Assembleia Legislativa, o evento reuniu lideranças comunitárias, gestores públicos, profissionais da saúde, pesquisadores, representantes de instituições e membros da sociedade civil.
Entre os temas discutidos estiveram o enfrentamento às zoonoses, as doenças negligenciadas, o abandono de animais, a vigilância em saúde, o fortalecimento da rede diagnóstica e a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à Saúde Única.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT) participou do fórum e reforçou a importância da Medicina Veterinária na prevenção de doenças, no diagnóstico clínico e laboratorial, na proteção animal, na vigilância epidemiológica e na construção de estratégias integradas para a saúde coletiva.
Atuação integrada
A conselheira e vice-presidente eleita do CRMV-MT, Kátia Sales, destacou que a presença de clínicas e hospitais veterinários privados em discussões como essa contribui para ampliar o conhecimento sobre a realidade enfrentada diariamente pelos responsáveis pelos animais.
Segundo ela, as zoonoses e demais doenças endêmicas não atingem apenas uma parcela da população, estando presentes tanto nos atendimentos realizados pela rede pública quanto nos estabelecimentos privados.
“O setor privado, formado por clínicas e hospitais, traz uma realidade que muitas vezes foge ao conhecimento do poder público. A notificação dessas doenças endêmicas, que neste fórum chamamos de negligenciadas, acontece independentemente do poder aquisitivo do responsável pelo animal. Esse responsável está presente na rede pública e também na rede privada, e está diante dessas zoonoses. Por isso, o diagnóstico clínico e laboratorial se torna muito importante nessas situações. A participação de clínicas e hospitais privados em fóruns como este traz ainda mais informações para o debate”, afirmou Kátia Sales.
Para o presidente do CRMV-MT, Aruaque Lotufo, o fórum representa uma oportunidade de fortalecer a rede de atendimento e vigilância, além de garantir maior participação das entidades representativas da sociedade na construção de soluções para os desafios relacionados às zoonoses, ao bem-estar animal e à Saúde Única.
“Este fórum é de grande importância porque reúne entidades representativas da sociedade, que têm voz ativa para avançar em relação ao atendimento aos animais, ao bem-estar animal e, de forma geral, ao enfrentamento das zoonoses dentro da perspectiva de Uma Só Saúde. A relevância do evento está no fortalecimento da rede diagnóstica de atendimento aos animais e, principalmente, das instituições públicas responsáveis pela mensuração e quantificação dos atendimentos relacionados às zoonoses”, destacou.
Aruaque alertou ainda para a necessidade de ampliar a estrutura e a articulação das políticas públicas no estado.
“Mato Grosso ainda caminha de maneira tímida em relação a esses atendimentos. Precisamos, como sociedade, acionar a força política para que a Saúde Única seja fortalecida no estado”, completou.
Saúde Única
Representando o Ministério da Saúde, o chefe da Coordenação-Geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Vetorial (CGVZE), Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior, reforçou que os desafios de saúde exigem uma atuação conjunta entre diferentes áreas do conhecimento e instituições.
“A saúde das pessoas, dos animais, do meio ambiente e das plantas está conectada. Por isso, precisamos avançar em uma agenda voltada à prevenção, olhando simultaneamente para os animais, a saúde das pessoas e o meio ambiente. Para isso, é necessário trabalhar de forma intersetorial e transdisciplinar, envolvendo muitas profissões”, afirmou.
Ele explicou que o Ministério da Saúde conta com um Comitê Técnico de Uma Só Saúde, responsável pela construção de um plano de ação nacional para enfrentar desafios sanitários de maneira integrada.
“O comitê está trabalhando em um plano de ação nacional que busca enfrentar os problemas de forma intersetorial e transdisciplinar. Entre eles estão as zoonoses endêmicas, o risco de surgimento de novas pandemias ou emergências de saúde pública, o enfrentamento da resistência aos antimicrobianos em animais e humanos e a segurança dos alimentos, desde a produção até a mesa da sociedade”, pontuou.
Francisco Edilson, que faz parte da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária, também ressaltou a importância do médico-veterinário nesse processo.
“O médico-veterinário tem papel fundamental, pois está presente tanto na saúde animal quanto na saúde ambiental e na saúde humana”, enfatizou.
Zoonoses, abandono animal e vulnerabilidade social
Entre os temas debatidos durante o fórum estiveram as doenças negligenciadas, o abandono de cães e gatos, o controle de zoonoses, os impactos das queimadas e do desmatamento, a vulnerabilidade social e a necessidade de ampliar ações de educação sanitária e proteção ambiental.
As doenças negligenciadas afetam de forma mais intensa populações em situação de vulnerabilidade, especialmente em regiões com menor acesso a saneamento, informação, serviços de saúde e políticas públicas. Nesse contexto, a abordagem da Saúde Única é essencial para integrar o trabalho de profissionais, instituições e gestores públicos.
Outro ponto de atenção é o abandono de animais. Além de representar um grave problema de bem-estar animal, a ausência de vacinação, castração e acompanhamento médico-veterinário pode favorecer riscos sanitários e dificultar o controle de zoonoses, como leishmaniose, esporotricose e raiva.
Para o CRMV-MT, o fortalecimento de espaços como o Fórum Social Uma Só Saúde é essencial para promover o diálogo entre diferentes setores e ampliar a construção de estratégias que protejam, simultaneamente, a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente.
A presença do Conselho no evento reafirma o compromisso da autarquia com a valorização da Medicina Veterinária, a promoção da Saúde Única e o apoio a iniciativas que contribuam para uma sociedade mais segura, saudável e consciente.
