Verão acende alerta para doenças transmitidas por vetores em animais e humanos
6 de janeiro de 2026 – Atualizado em 06/01/2026 – 11:40am
O período mais quente do ano traz consigo um aumento significativo na presença de mosquitos, pulgas e carrapatos, favorecido pelas altas temperaturas e pelas chuvas frequentes. Esse cenário cria condições propícias para a circulação de doenças que afetam animais e pessoas, exigindo atenção redobrada de tutores e profissionais da saúde em todo o país, incluindo Mato Grosso, onde o clima contribui para a permanência desses vetores ao longo do ano.
Entre as enfermidades que mais preocupam estão as zoonoses, doenças que podem ser transmitidas dos animais para os seres humanos, com impactos diretos na saúde pública.
Leishmaniose: doença silenciosa e de alto impacto
Considerada uma das doenças tropicais negligenciadas mais relevantes no mundo, a leishmaniose está presente em dezenas de países e tem forte incidência no Brasil. Dados internacionais apontam milhões de pessoas infectadas globalmente, com registros expressivos nas Américas, especialmente nas formas cutânea, mucosa e visceral, esta última associada a maior gravidade e risco de morte.
A transmissão ocorre por meio da picada do mosquito-palha, inseto que encontra no verão condições ideais para se multiplicar. Em cães, a doença pode se manifestar de forma progressiva, com sinais como perda de peso, feridas na pele, apatia, crescimento excessivo das unhas e alterações oculares. Em humanos, os sintomas variam de lesões cutâneas persistentes a quadros sistêmicos graves, quando órgãos internos são acometidos.
Dirofilariose: risco ao coração dos animais
Outra doença que ganha destaque no verão é a dirofilariose, conhecida como verme do coração. Transmitida por mosquitos infectados, inclusive espécies amplamente disseminadas no Brasil , a enfermidade atinge principalmente cães, mas também pode afetar gatos e seres humanos.
O parasita se aloja no coração e nos vasos pulmonares, comprometendo a circulação e a respiração. Em muitos casos, a doença evolui de forma silenciosa, sendo diagnosticada apenas em estágios avançados, o que aumenta o risco de complicações graves.
Carrapatos e doenças associadas
As altas temperaturas também favorecem a proliferação de carrapatos, vetores de doenças como a ehrlichiose e a babesiose, que podem causar anemia, febre, sangramentos e queda da imunidade nos animais. Em humanos, esses ectoparasitas estão associados a doenças de relevância nacional, como a febre maculosa brasileira.
Prevenção contínua é essencial
A proteção contra essas doenças depende, principalmente, de medidas preventivas permanentes. O uso regular de antiparasitários indicados por médicos-veterinários, a eliminação de água parada, a limpeza frequente de ambientes externos e o controle de insetos são ações fundamentais para reduzir os riscos.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT) reforça que qualquer sinal clínico diferente, como apatia, tosse persistente, feridas na pele, emagrecimento ou mudanças de comportamento, deve ser avaliado o quanto antes por um médico-veterinário. O diagnóstico precoce é determinante para o sucesso do tratamento e para a proteção da saúde dos animais e das famílias.
Com a intensificação do calor e das chuvas, os riscos aumentam, mas informação, prevenção e acompanhamento profissional continuam sendo as melhores estratégias para enfrentar as doenças transmitidas por vetores durante o verão.
