Ao contrário do que muitos imaginam, acordar e dormir cedo, apartar o gado, tirar leite, arar a terra, cuidar da plantação e da colheita, lidar com peões e capatazes em fazendas, entre outros afazeres do campo, não é uma exclusividade de homens. Muitas mulheres estão conquistando respeito por atuarem como produtoras rurais, seja em pequenas ou grandes propriedades. A fazendeira Ivonildes Barbosa, conhecida e chamada carinhosamente pelos amigos e funcionários como "Dona Moça", fala das dificuldades enfrentadas no meio rural e também dos desafios.
Formada em letras, há 8 anos decidiu sair da cidade e se dedicar a pecuária leiteira. "No início, algumas pessoas passavam por cima do que eu dizia e iam falar com meu marido. Daí ele dizia que não entendia nada, que pessoa me procurasse e falasse comigo, pois era eu que estava a frente da fazenda. Mas eu fui forte, resisti a estes preconceitos e levei meu projeto para frente".
Hoje, ela possui 40 vacas leiteiras da raça girolanda e produz mensalmente 15 mil litros de leite em sua propriedade, a Estância Chanana, localizada na BR-364, na saída para Rondonópolis. A produção é comercializada para um laticínio local. Com quatro funcionários, conta como aprendeu a conduzir o trabalho. "No início, quando eu montava em um cavalo e saía para apartar o gado, percebia que os peões olhavam meio desconfiados, certamente imaginando que eu não daria conta. Mas está no meu sangue, desde criança vivi no campo".
Nascida no interior de Minas Gerais, a pecuarista foi criada em fazendas com seus 19 irmãos, quase todos homens, tem apenas uma irmã. A vida em família a ajudou a lidar com os funcionários e algumas situações. "Sei que tenho que ter pulso firme para comandar sozinha uma fazenda, pois meu marido desempenha outra atividade na cidade. Claro que jamais deixo de compreender as necessidades e ouvir aquelas pessoas que trabalham comigo".
O gerente da fazenda, Elias Pereira de Souza, diz que esta é a primeira vez que trabalha com uma mulher. O rapaz conta que cresceu no campo e que a situação é nova para ele. "Estou gostando de ter uma patroa. Diferente dos homens, ela ouve melhor a opinião da gente e é mais compreensiva. Este é o diferencial que faz com que trabalhemos mais satisfeitos".
Dona Moça explica que conhece de perto a realidade de todas as pessoas que trabalham com ela e de suas famílias, e ressalta ser fundamental o investimento na qualidade de vida. Outro ponto que valoriza e investe e na capacitação. Segundo ela, seu gerente já fez diversos cursos na área rural, entre eles o de inseminação artificial. "Um dia desses fui a uma palestra, onde o governador Blairo Maggi disse que temos que ser empresários do campo e me considero como tal". Aconselho as mulheres que querem enfrentar o desafio de trabalhar no campo a primeiro gostarem do que estão fazendo, depois ter perseverança e acreditar que são capazes de desempenhar qualquer atividade.
Mãe de uma filha de 15 anos, Ivonildes diz que incentiva a adolescente a conhecer a fazenda e as atividades desenvolvidas no local. Segundo ela, sua filha se interessa apenas por cavalos, pois pratica hipismo, mas com o tempo certamente vai querer saber mais sobre a pecuária de leite e demais assuntos relacionados à propriedade rural.
Fonte: Gazeta digital